Close

20 de fevereiro de 2018

Inteligência Artificial pode ser usada no combate à pobreza e desigualdade

Pesquisadora de Stanford mostra que tecnologia pode ser a saída para pensar em educação diferenciada e preenchimento mais eficiente das vagas no mercado.

A visão caricata de que a Inteligência Artificial veio para roubar empregos em diversos setores ainda assombra uma parcela da população, que ainda reluta para dar abertura a discussões mais amplas sobre o tema. Nesse sentido, vale mencionar situações nunca antes imaginadas pelos leigos no assunto: a possibilidade da IA ser usada para combater a pobreza e a desigualdade ao redor do mundo.

Elisabeth A. Mason, fundadora e diretora do Laboratório de Tecnologia e Pobreza da Universidade de Stanford, publicou artigo no New York Times em que aborda três fatores que são determinantes para geração de pobreza: desemprego, educação de baixa qualidade e grande dependência de serviços sociais. Neste sentido, a IA pode atuar nas três frentes.

O primeiro cenário a ser pensado é a forma como a IA pode atuar de forma mais eficiente para identificar bons espaços no mercado para preenchimento de vagas intermediárias, as quais muitas vezes ficam obsoletas ou não são encontradas. A própria autora ressalta que existem milhões dessas vagas nos Estados Unidos. Sendo assim, a IA poderia identificar as oportunidades e apontar quais seriam as capacidades e os estudos requeridos para que elas fossem ocupadas. De um modo geral, os desempregados teriam uma visão mais ampla do mercado e de que como suas forças poderiam ser empregadas.

Alinhado a isso, com base em Big Data, é possível pensar em educação diferenciada, capacitando cada pessoa de acordo com suas afinidades e suas habilidades mais expoentes para aprendizado. Há quem se entenda bem com a leitura, outros assimilam melhor o conhecimento ouvindo, para outros, basta ver alguma coisa com atenção para assimilar o conhecimento rapidamente.

Diante da diversidade e da individualidade de cada um no processo de aprendizagem, a IA pode aperfeiçoar os métodos que podem ser aplicados para a população de um modo diferenciado. Isso ampliaria o leque de oportunidades para todos, tendo em vista que teríamos melhorias expressivas em termos de capacitação.

Por fim, esse conjunto de fatores serviria para alocar as pessoas profissionalmente de uma forma muito mais aprimorada, bem como teríamos uma melhoria expressiva no nível de educação das gerações futuras. Isso implicaria em redução da necessidade de amparo de serviços sociais. Ainda que o governo precise ter estrutura para dar assistência social, a IA poderia aperfeiçoar a forma como os programas governamentais são planejados, entendendo melhor o perfil da população e suas necessidades.

De um modo geral, o que se observa hoje é justamente o contrário. As políticas sociais costumam ser pensadas de uma forma global, abarcando pessoas com diferentes perfis e necessidades nas mesmas estratégias. Isso impede que as potencialidades de cada um sejam exploradas da melhor forma. É justamente nesse sentido que a IA pode agir para transformar a sociedade de uma forma positiva.

O pensamento receoso em relação aos impactos da IA, ainda muito presente, deve dar espaço para a reflexão sobre como essa tecnologia pode ser uma oportunidade para que tenhamos abordagens mais inclusivas quando o assunto for tratar de políticas sociais.

 


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Bitnami